Um registro fotográfico recente realizado por Raissa Vitória Mazzi no Jardim Botânico Municipal de Rio do Sul revelou a presença do teiú Salvator merianae, uma das espécie bastante interessante da herpetofauna brasileira. O teiú pertence à ordem Squamata e à família Teiidae, grupo que reúne os populares teiús, tegus ou tejus. Trata-se do maior e mais comum lagarto encontrado no Brasil, podendo alcançar cerca de 1,40 metro de comprimento, chegando em alguns casos a quase 2 metros. A espécie apresenta cabeça longa e pontiaguda, com mandíbulas fortes e pequenos dentes afiados. O papo e a face são claros, contrastando com manchas negras, e a língua rosada, comprida e bifurcada, é frequentemente visível enquanto o animal explora o ambiente. Apesar de sua aparência robusta, o teiú é geralmente um animal assustado e pacífico, que prefere fugir ao perceber a presença humana. Quando encurralado, pode usar a cauda como defesa ou aplicar uma mordida poderosa. Embora seja um lagarto terrestre, é capaz de escalar pequenas árvores e rochas e também é excelente nadador. Como todo réptil, o teiú é ectotérmico, dependendo do calor externo para regular sua temperatura corporal. Por isso, é comum observá-lo em áreas abertas tomando sol, comportamento importante para seu metabolismo. O teiú é onívoro e possui dieta diversificada: alimenta-se de pequenos mamíferos, aves e ovos, répteis, anfíbios, insetos, artrópodes, carniça e frutos. Em áreas rurais, tornou-se conhecido por invadir galinheiros em busca de ovos. Essa dieta ampla ajuda no controle de populações de insetos e outros animais, além de contribuir para a dispersão de sementes. A espécie apresenta dimorfismo sexual, com machos maiores e com papadas mais evidentes. As fêmeas constroem tocas ou utilizam cupinzeiros para depositar entre 12 e 35 ovos, protegendo-os até a eclosão, após cerca de 90 dias de incubação. O teiú ocorre desde o sul da Amazônia até o norte da Argentina, adaptando-se a diversos ambientes. Sua presença no Jardim Botânico de Rio do Sul reforça a importância do espaço como refúgio para a fauna nativa e como área de pesquisa e educação ambiental . Registrar espécies como o teiú ajuda a aproximar a comunidade da biodiversidade local e a compreender o papel fundamental de cada animal nos ecossistemas da Mata Atlântica.